Se um vídeo ou uma foto íntima sua foi parar na internet sem a sua autorização, a culpa não é sua, e há o que fazer. A ordem abaixo ajuda a agir rápido sem perder as provas.
1. Guarde as provas antes de tudo
Antes de pedir a remoção, registre onde o material está: copie os endereços exatos das páginas, faça capturas de tela que mostrem data, hora e o perfil que publicou, e salve conversas em que alguém ameaçou divulgar ou admitiu ter divulgado. Depois que o conteúdo sai do ar, essas provas ficam difíceis de recuperar.
2. Peça a remoção à plataforma
Pelo art. 21 do Marco Civil da Internet, o site ou aplicativo que hospeda conteúdo de terceiros passa a responder pela violação da intimidade se, depois de notificado por quem aparece nas imagens, não tirar do ar as cenas de nudez ou de sexo de caráter privado. Não é preciso ordem judicial para esse pedido.
A notificação tem de permitir identificar o material, por isso mande os links exatos, e mostrar que quem pede é a pessoa que aparece nas imagens ou seu representante. Use o formulário de denúncia da própria plataforma e guarde o protocolo.
3. Bloqueie novas publicações
O StopNCII.org é um serviço gratuito para maiores de 18 anos. Ele cria no seu próprio aparelho uma impressão digital do arquivo, e só essa impressão é enviada: a foto ou o vídeo não saem do celular. As plataformas participantes usam a impressão para localizar e remover cópias. O serviço não alcança sites que não participam.
4. Registre a ocorrência
Divulgar cena de sexo ou nudez sem o consentimento de quem aparece é crime: o art. 218-C do Código Penal prevê reclusão de um a cinco anos, com aumento de um a dois terços quando quem divulga teve relação íntima com a vítima ou agiu por vingança ou humilhação (TJDFT). Gravar sem autorização também é crime: o art. 216-B prevê detenção de seis meses a um ano e multa, e a mesma pena vale para quem faz montagem para incluir alguém em cena íntima (Lei 13.772/2018).
Leve as provas a uma delegacia. Onde houver, procure a delegacia da mulher ou a de crimes cibernéticos.
5. Procure apoio
O Canal de Ajuda da SaferNet orienta, de graça e com sigilo, por chat e por e-mail. A SaferNet também reúne orientações para vítimas de divulgação de imagens íntimas. Se quem aparece nas imagens tem menos de 18 anos, o caso é mais grave e deve ser denunciado imediatamente, à polícia ou pelo Disque 100.
O depoimento de Tata Gulusian
A youtuber Tata Gulusian contou em vídeo como foi ter um vídeo íntimo vazado.
Para evitar o problema antes que ele aconteça, veja os cuidados para gravar um vídeo íntimo.
Nota de atualização
Publicado em 14 de janeiro de 2020 e reescrito em outubro de 2026. As duas orientações do texto original viraram um passo a passo com as leis e os canais de ajuda. Saíram o fecho promocional e a imagem que ilustrava o post, uma cena de sexo.


