Em 2019, este blog publicou uma lista de atrizes de Hollywood lembradas por cenas de sensualidade. A versão de hoje troca os comentários sobre corpos pelo que dá para verificar: como algumas dessas cenas foram feitas e o que as próprias atrizes disseram sobre elas anos depois.

Sharon Stone e Instinto Selvagem (1992)

A cena do interrogatório, em que Catherine Tramell cruza as pernas diante dos policiais, virou a imagem mais conhecida do filme de Paul Verhoeven. No livro de memórias The Beauty of Living Twice, de 2021, Sharon Stone conta que ouviu no set que nada apareceria e que só precisava tirar a calcinha porque o branco refletia a luz. Diz que viu o resultado pela primeira vez numa sessão com agentes e advogados, deu um tapa no diretor e procurou seu advogado. Acabou mantendo a cena, porque a considerou correta para o filme e para a personagem (Today).

Verhoeven contesta essa versão. Em 2017, disse que Stone sabia o que estava sendo filmado.

Demi Moore e Striptease (1996)

Na adaptação do romance de Carl Hiaasen dirigida por Andrew Bergman, Moore faz Erin Grant, uma mulher que vai trabalhar numa boate de striptease em Miami para pagar o recurso que pode devolver a ela a guarda da filha. O cachê de US$ 12,5 milhões fez de Moore a atriz mais bem paga do cinema até então. A crítica detestou o filme, que levou seis Framboesas de Ouro, entre eles o de pior filme (Wikipedia).

Em 2024, Moore voltou ao assunto. Ao New York Times, disse que foi duramente humilhada pelo cachê num filme sobre strip e sobre o corpo; à Variety, que o valor não era só sobre ela, mas sobre mudar as regras para todas as mulheres (Men’s Journal).

Halle Berry e A Senha: Swordfish (2001)

No filme de Dominic Sena, com John Travolta e Hugh Jackman, Berry aparece em topless numa cena curta. Por anos circulou a informação de que ela teria recebido US$ 500 mil a mais por isso; Berry negou. Explicou que fez a cena porque ela mostrava uma personagem no controle da própria sexualidade, e depois disse que a experiência a ajudou a encarar as cenas íntimas de A Última Ceia (Monster’s Ball), papel com o qual se tornou, em 2002, a primeira mulher negra a ganhar o Oscar de melhor atriz (Looper; Wikipedia).

Angelina Jolie e Gia (1998)

O telefilme da HBO dirigido por Michael Cristofer conta a vida de Gia Carangi, de Filadélfia, uma das primeiras supermodelos. Carangi ficou dependente de drogas, contraiu HIV e morreu em 1986, aos 26 anos, de complicações da aids. O papel, com cenas de nudez que fazem parte do retrato da carreira da modelo, deu a Jolie o Globo de Ouro e o prêmio do Sindicato dos Atores, além de uma indicação ao Emmy (Wikipedia).

Natalie Portman e Closer (2004)

Mike Nichols dirigiu a adaptação da peça de Patrick Marber, com Julia Roberts, Jude Law e Clive Owen. Portman faz uma stripper e ganhou o Globo de Ouro de atriz coadjuvante, além de uma indicação ao Oscar. A peça tinha uma cena de nudez da personagem. Segundo Portman, ela e Nichols combinaram filmar tudo e ele mostraria a montagem para ela concordar; a nudez ficou fora do corte final. Ela contou isso em 2014, ao homenagear o diretor, que tinha acabado de morrer (E! News).

Das cinco cenas, quatro voltaram à conversa pela boca das próprias atrizes, e quase sempre pelo mesmo caminho: quem decidiu o que ia para a tela, quanto isso valia e o que ficou para elas depois. O mesmo recorte, na televisão brasileira, está em Cenas de nudez na TV brasileira: o que as atrizes disseram depois.

Nota de atualização

Publicado em 12 de dezembro de 2019 como lista das “mulheres mais safadas do cinema” e reescrito em setembro de 2026 como reportagem. Saíram os comentários sobre o corpo das atrizes, as compilações de cenas, a imagem de filme e Anne Hathaway, cujo papel em Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge não tem cena de nudez. Correção: em Striptease, a personagem de Demi Moore luta pela guarda da filha, e não do filho. Os vídeos de sites externos foram retirados em setembro de 2026.