Bianca 40tona grava vídeos amadores desde muito antes de chegar ao Safada.tv: os primeiros curtas foram para o Fiz.tv, da Editora Abril, em 2008. Nesta entrevista ao blog, ela fala da criação conservadora que levou anos para deixar para trás, da formação em publicidade, dos empregos que teve antes do pornô e do que acha que a indústria precisa melhorar em saúde. A conversa é de 2018 ou pouco depois: ela conta que estava em São Paulo desde dezembro de 2017.

O nome artístico, diz ela, foi escolhido para ser “o mais sincero possível” e para “valorizar as mulheres acima dos 40”. Hoje os vídeos dela estão reunidos na página no Criadores Quente Club, e as outras coroas do catálogo, em Coroas gostosas.

A entrevista

Em que cidade você nasceu e desde quando está em São Paulo?

Nasci em Bombinhas, em Santa Catarina, e já morei algumas vezes em São Paulo. Desta última vez, estou aqui desde dezembro de 2017.

Como foi crescer?

Cresci numa família superconservadora, estudando em colégio de padres, com os intervalos vigiados por freiras. Eu inclusive pretendia me tornar uma, mas foi uma vocação que percebi não ter. Na adolescência eu era meio gótica, curtia Madonna, Pet Shop Boys, The Cure e Erasure.

Educação sexual deveria fazer parte do currículo das escolas públicas?

Deve fazer parte das escolas públicas e privadas. Eu tive aula de educação sexual, palestra sobre drogas e suas consequências, doenças sexualmente transmissíveis. É fundamental crescer com esse conhecimento, na escola e dentro de casa, quando a família dá espaço para esse tipo de assunto.

O que você gostaria de ter aprendido na escola e teve que aprender na vida?

Acho que a escola deveria dar à criança a chance de desenvolver a própria forma de observar o que acontece no país e no mundo. Sem seguir 100% a cartilha, abrindo espaço para opiniões sobre a nossa história e a nossa política, para que possamos enxergar novas soluções para a desigualdade social.

Você lembra da sua primeira professora?

Da escola, não. Lembro da minha professora de balé, em que eu pedi para ser matriculada aos 3 anos, e de uma professora que contou uma fábula sobre a importância que as pessoas dão ao amor e ao sexo. Isso vale até hoje e me marcou muito.

Quais atores você mais admira, no pornô e no cinema?

No pornô, gosto de atores que saem da zona de conforto e são bem-humorados; tenho assistido filmes com o Jordi El Niño Polla. No cinema, curto os papéis do Johnny Depp e a entrega dele a cada personagem. Gosto de filmes de suspense e comédia, que vejo em casa, depois que passa o lançamento.

Você fez faculdade?

Queria ter feito design de moda, mas passei com bolsa num curso de design de publicidade e me apaixonei. Depois fiz especialização em marketing, em logística e em design educacional, para desenvolver plataformas de ensino a distância.

Com que idade começou a carreira de atriz?

Comecei a produzir curtas amadores para o Fiz.tv, da Editora Abril, em 2008. Antes já tinha gravado comerciais e algumas coisas sem muita importância para a TV.

Você fez teatro? Acha que isso ajuda no pornô?

Tive aulas de teatro aos 17 anos, na escola pública, para melhorar meu relacionamento com as pessoas. Também tive aulas de canto e participei de um coral no município. Sempre fui muito tímida, e ainda sou. Essas experiências me ajudaram muito, e eu recomendo a quem quiser começar. Hoje gostaria de fazer mais aulas e me especializar.

O que você gostaria de fazer na TV convencional?

Algo com valor histórico, ou um documentário. Não assisto novelas há mais de dez anos, mas, se pudesse escolher um papel, seria a empregada indiscreta.

É fácil entrar e se manter no mercado adulto?

Entrar é fácil? Não sei. Eu demorei uns vinte anos para amadurecer a ideia e brigar com a criação severa que tive, deixar para trás uma coleção de preconceitos sobre quem trabalha com sexo e vestir a camisa. Para quem teve uma criação mais livre, foi mais fácil. Se manter é outro desafio: é preciso se reinventar, estudar e pesquisar tendências do mercado, identificar o que falta nos filmes e nos fetiches e explorar. O Brasil ainda tem muito a ser visto; aqui só se usaram algumas linhas e estilos de filme. Só vejo crescimento daqui pra frente.

Como a indústria trata a saúde de atrizes e atores? O que você sugere?

O que está cada vez mais presente é a prevenção de doenças venéreas e a importância da informação para tratar e prevenir qualquer doença sexual. Muita gente não gosta de filmes em que os atores usam preservativo, mas acho válido lembrar a população, mesmo através do pornô, da importância de usar. Fica ainda melhor quando a própria produtora exige isso e pede que os atores cuidem da saúde e mantenham os exames em dia. Dar autonomia e informação também é uma forma de respeito.

Como você cuida do corpo?

Procuro dormir oito horas, o que nem sempre é possível, comer em horários regulares, beber bastante água e caminhar bastante. Hoje faço trekking urbano, mas já fiz balé, yoga, pilates, spinning, step, body combat, muay thai, jazz e dança do ventre, além de dança contemporânea, flamenco e sapateado.

Que trabalhos você teve antes do pornô?

Fui atendente de McDonald’s e de videolocadora, recepcionista, operadora de telemarketing, analista de sistemas e de finanças, turismóloga, professora de ensino a distância e gerente de loja em shopping. Em paralelo, trabalhava nos fins de semana como hostess, go-go dancer, performer e malabarista em eventos. Mantive uma ONG que ensinava dança e malabarismo de forma profissionalizante, mas com os anos não consegui mais administrar.

Ping-pong

  • Atriz predileta: Fernanda Montenegro
  • Livro: A Casa dos Budas Ditosos
  • Programa de rádio: JazzMasters, na Alpha FM
  • Jornalista: “Serve chargista? Laerte.”
  • Cantores: Frank Sinatra e Julio Iglesias (“sou velha, me julguem”)
  • Cantoras: Annie Lennox e Marisa Monte
  • Música: “Sweet Dreams”, do Eurythmics
  • Humorista: Tatá Werneck

Outras produções com coroas, incluindo a cena de 40tona com Gween Black, estão em filmes com coroas.

Nota de atualização

Entrevista publicada originalmente pelo blog (a data exata não está registrada no post; pelo conteúdo, é de 2018 ou pouco depois) e editada em setembro de 2026. Mantivemos as respostas, com correções de digitação e pequenos cortes de repetição. Retiramos trechos sobre a infância que não cabiam numa publicação adulta, a data de nascimento completa e o e-mail pessoal, as perguntas do ping-pong sobre objetos e fetiches, a menção política e duas respostas longas fora do tema (sistema educacional e violência urbana). Também retiramos o título anterior (“a MILF mais exibida da internet”), que não tinha critério, e as imagens em GIF.

Sobre o Autor

O Flagra Amador é o canal de vídeos amadores do Safada.tv, com cenas gravadas pelos próprios criadores, sem roteiro.

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